Como viver bem nesse mundo frenético?

É muito complicado entender como eu faço pra parar nesse mundo frenético. Onde eu preciso sempre estar correndo contra o tempo, onde eu passo mais dias no trabalho do que falando com meus amigos , minha família meus filhos, e como eu posso parar, se eu tenho que produzir mais?

Já parou pra sustentar sua individualidade um pouco? Você se incomoda quando está sozinho? Se sente improdutivo quando não está fazendo ”nada”?

Talvez parar não seja sair do mundo frenético de uma vez, mas criar pequenas ilhas dentro dele. Lugares internos onde o relógio não manda, onde você pode existir sem performance. E é nesse espaço — silencioso, imperfeito, profundamente seu — que algo essencial começa a se reorganizar.

A terapia entra como um espaço onde o tempo desacelera sem cobrança. Ali, ninguém mede seu valor pelo que você entrega, mas pelo que você sente, pensa e sustenta. É um lugar de reaprender a escutar os próprios ritmos, de perceber que o cansaço não é fraqueza — é linguagem. A fala, na terapia, vira um freio suave: enquanto você fala, o mundo lá fora diminui o volume.

Pouco a pouco, a terapia ajuda a construir pausas possíveis. Não pausas grandiosas, inalcançáveis, mas intervalos humanos. Ensina que parar não é abandonar responsabilidades, é sustentar presença. Sustentar ficar sozinho sem se sentir abandonado. Ficar em silêncio sem precisar preenchê-lo. Fazer algo só para si — caminhar sem destino, preparar um café com atenção, olhar o céu como quem não tem pressa de entender nada.

Medite.
Coma algo gostoso, sem exageros, saboreie.
Saia com os amigos para beber, rir alto, esquecer o relógio.
Mexa o corpo: faça um esporte, caminhe, sinta o coração bater por você. Conheça pessoas novas, histórias que não sabem nada sobre o seu cansaço. E tente.
Tente de novo, e de novo, e quantas vezes for preciso. Mas, sobretudo, pare de viver no piloto automático que a vida insiste em te impor.
Desligar não é desistir.
É escolher estar presente.